Educação, da Finlândia ao Brasil.

Educação, da Finlândia ao Brasil.

Por Vilmar Antonio da Silva – professor de Direito da Faculdade Cathedral – Boa Vista.

O papel de professor é, na verdade sempre foi, um dos mais importantes de uma sociedade, senão o mais importante. Tanto o é que são chamados de mestres, como aqueles que ocupam o mais alto nível de respeito que se deve a alguém. O problema é que, nos últimos anos, essa imagem de respeito tem dado lugar a algo pouco nobre, pouco respeitoso, nem um pouco venerável: menosprezo.
Quando o pai de Alexandre, o grande, entregou seu filho a Aristóteles, para que tivesse a melhor das educações possíveis, imaginava que a educação pudesse transformar alguém, compondo-se na melhor e mais poderosa das riquezas. Assim o foi, pois Alexandre transformou-se em um dos maiores ícones da história. Essa importância dada aos mestres tinha estado presente em nossa sociedade de forma tão natural quanto profunda.
Mas nos últimos anos algo tem acontecido com nosso povo que, pouco a pouco, tem transformado o mestre-professor em um profissional menosprezado, relegado a somenos importância. Dá-se a impressão de um suicídio social, pois a sociedade passou a menosprezar o mais importante dos profissionais. Aqueles que podem construir ou destruir uma sociedade.
Para entendermos o drama da educação brasileira, um bom exemplo é a Finlândia, classificada como 1º lugar no teste de PISA (um teste promovido pela ONU, que avalia os conhecimentos dos estudantes nas áreas de leitura, matemática e ciências). Aquele país valoriza enormemente a educação, com ênfase nos professores: o mestrado é pré-requisito para um professor ser contratado na Finlândia (100% dos professores têm). No Brasil, basta ter o diploma de nível superior, que se tornou obrigatório em 2007, (2% têm mestrado).
Segundo Reijo Laukkanen, professor da Universidade de Tempere, convidado a apresentar a palestra “Os segredos da educação da Finlândia” durante o VIII Congresso Internacional de Tecnologia na Educação, no Centro de Convenções, em Olinda, no último dia 09 de setembro, o “segredo” do país europeu é simples: encarara educação como prioridade nacional.Naquele país, o professor recebe um salário médio de 2,4 mil euros (em torno de R$ 5 mil) por mês. A remuneração é superior à média salarial do país, de 2,2 mil euros, e ilustra o quanto o trabalhado em educação é valorizado por lá. Apesar disso, a Finlândia não é o país onde se paga o maior salário do mundo ao professor. A Austrália paga ao professor do ensino primário U$ 46 mil (R$ 78,2 mil) por ano.
A constatação prova que a qualidade da educação não passa, diretamente, pelo pagamento dos mais altos salários aos professores. Segundo Laukkanen, o que ocorre é que os docentes do seu país têm compromisso com a aprendizagem. “Quando eles percebem que existem alunos com problemas para acompanhar os assuntos, fazem reuniões com os pais e recomendam aulas de reforço. Essas aulas são pagas pela sociedade, que entende que a educação é um prioridade máxima”.
Como eu dizia no início deste artigo, o que ocorre no Brasil é uma inversão tão absurda de valores que o menosprezo aos professores nada mais é do que a pouquíssima importância que se dá ao ensino. Não parece que os pais preocupam-se com a escola, pois pouco se ouve sobre educação nas grandes discussões nacionais. Vêem-se dezenas de programas diários na televisão sobre esporte ou sobre um monte de pessoas se exibindo, trancafiados em uma casa, falando sobre um monte de baboseira, 24 horas por dia. Tem-se a impressão de que isso é mais importante do que a educação, pois os pais sabem até a cor preferida do participante do Big Brother, mas não sabe sequer o projeto pedagógico da escola de seu filho, nem jamais conversou com a professora que cuida do futuro de seu filho. Mal sabem esses pais que, diferentemente da Finlândia, o Brasil, no teste de PISA, em uma escala que vai até 6, assustadores 73% dos alunos estão abaixo de 1 em matemática; 56% abaixo de 1 em leitura e 61% abaixo de 1 em ciências. Esses resultados nos coloca em penúltimo ou antepenúltimo entre os 56 países participantes. O Brasil está posicionado atrás do Haiti – aquele mesmo país que não tem nem comida para sobreviverem. Acorda Brasil!

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